O Palácio das Lágrimas
No prédio que hoje é sede da Faculdade de Odontologia, há muitos anos, morava um homem de grandes posses e sem número de escravos.
Um deles apaixonou-se loucamente por uma também escrava, muito linda, que lhe recusou o amor. Inconformado, encheu-se de ciúmes o amante preterido e planejou vingar-se, pondo veneno na comida dos dois filhos do patrão e escondendo os restos da peçonha nos guardados da escrava.
Debalde protestou inocência a pobre acusada e foi como era costume, condenada à foca. Desesperada, em pranto copioso, pedia a mulher à compaixão do céu e praguejava de que as suas lágrimas, vertidas nos degraus da escadaria, quando era arrastada para a morte, nunca haveriam de secar até que se encontrasse o culpado verdadeiro. Assim se viu: por mais que se tentasse enxugar a escada, sempre os degraus se mantinham molhados e mesmos de lhe pondo novas lajes também elas nunca estavam enxutas. Por fim, o criminoso confessou o crime, mas o sobrado permaneceu mal assombrado, perdendo o juízo o último dono, até que o prédio foi, afinal, demolido.
Source: Livro "Lendas do Maranhão", de Carlos de Lima












