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Histórico SLCVB


 

Mundialmente, o Convention & Visitors Bureau (CVB) existe desde 1896 e prima em ser uma fundação independente, sem fins lucrativos, mantida pela iniciativa privada. Hoje, segue a eficácia do modelo americano e atinge um total de 450 escritórios espalhados nos países de maior representatividade mundial.

Sua finalidade é promover e divulgar a cidade onde se instala, trazendo para si o maior número possível de congressos, convenções e eventos em geral, nacionais e internacionais.

Segundo pesquisa e artigo do Diretor Comercial do Campinas e Região Convention & Visitors Bureau e Coordenador do Comitê Executivo da Federação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux, com a colaboração de Gustavo Vilela Fernandes, também do Campinas CVB, as necessidades de acolher visitantes em eventos com um mínimo de infra-estrutura motivou a criação do que seria o primeiro convention bureau do mundo, como veremos a seguir.

Ao que se sabe, no final do século XIX, a linha de montagem criada por Henry Ford em Detroit para a produção em série dos automóveis da marca, começava a chamar a atenção de empresários de outros estados e países pelo sucesso obtido com o aumento da produtividade e racionalização dos custos de produção, introduzindo o conceito de economia em escala.

Detroit sempre foi uma cidade com grande apelo turístico e de economia poderosa. Já no início de 1896, muitos homens de negócios das mais variadas cidades lá chegavam para participar de convenções, congressos e reuniões de trabalho. Os hotéis, restaurantes, táxis, bares e boates viviam abarrotados de pessas animadas e com muita propensão para gastar. A cidade já começava a delinear uma certa vocação para o Turismo de negócios naquele final de século.

Foi num desses dias, mais precisamente no dia 06 de fevereiro de 1896, que Milton Carmichael, um jornalista recém chegado de Indiana, ligado ao Partido Republicano, veio trabalhar no The Detroit Journal, um dos principais periódicos da época, e escreveu um texto que se apresenta reproduzido abaixo, e que pode ser considerado o estopim para a fundação do primeiro convention bureau do mundo!

Chamamos a atenção para a acurada visão estratégica demonstrada por Carmichael, falecido em 1948, evidenciada na aparente simplicidade do texto, o qual, após uma análise mais cuidadosa, revela uma modernidade difícil de entender em pleno século XIX:

"[...] Ao longo dos últimos anos Detroit construiu fama de cidade de convenções. Visitantes vêm de milhares de quilômetros de distância para participar de eventos empresariais. Fabricantes de todo o país usam nossa hotelaria para promover reuniões onde discutem os temas de seus interesses, mas tudo isso sem que haja um esforço por parte da comunidade, nem uma ação que vise dar-lhes algum apoio durante sua estadia entre nós! Eles simplesmente vêm para Detroit porque querem ou precisam! Será que Detroit, através de um esforço conjunto, não conseguiria garantir a realização de 200 ou 300 convenções nacionais ao longo do próximo ano? Isso significaria a vinda de milhares e milhares de pessoas de todas as cidades americanas, e elas gastariam milhares de dólares no comércio local, beneficiando a população da cidade."

Com este artigo, Carmichael conseguiu despertar o interesse de alguns empresários e comerciantes membros da Câmara de Comércio e do Clube dos Fabricantes, os quais, em reuniões com hoteleiros, agentes de venda do sistema ferroviário e outros comerciantes decidiram, em encontro acontecido no hotel Cadillac, fundar uma organização para promover, de forma ordenada, um esforço contínuo para atrair mais convenções para a cidade.

Assim, surgia a Liga de Convenções e Homens de Negócio de Detroit, primeiro nome da entidade que em 1907 passou a adotar a denominação de Detroit Convention & Tourists Bureau. Nessa época, o convention tinha um pouco menos de 20 empresas associadas, mas a idéia vingou e começou a dar frutos em outras cidades dos Estados Unidos e até do exterior. Em 1915 havia 12 outros conventions, cujos representantes se encontraram em Detroit para formar a organização que hoje é a IACVB - International Association of Convention & Visitors Bureaux, entidade que reúne centenas de CVB's do mundo todo.

O surgimento do primeiro convention do mundo, como vimos, foi motivado por um singelo artigo de jornal que questionava a passividade dos empresários locais com relação aos benefícios da vinda de visitantes para a cidade.

Entretanto, um fato histórico ajudou a dar visibilidade mundial à cidade de Detroit, e vai ficar, para sempre, ligado à história dos conventions: Naquele mesmo ano de 1896, Charles B. King saiu de sua loja em St. Antoine dirigindo uma carruagem sem cavalos, movida por um motor de dois tempos, num fato inédito que marcaria o início do surgimento da indústria automobilística que, até hoje, é a marca de Detroit. Era a primeira vez que um automóvel era dirigido pelas ruas da cidade e o autor dessa façanha, Charles King, que chegou a ter dificuldades com as autoridades locais por sua ousadia, coincidentemente, foi um dos fundadores do convention de Detroit.

Evidentemente, as coisas não foram tão fáceis como alguns podem imaginar. Quando Carmichael falou em investimento, em gastar dinheiro para trazer gente de fora, imediatamente algumas vozes mais conservadoras alegaram que seria um desperdício aplicar recursos próprios num projeto tão mirabolante. Segundo essa corrente, caberia às autoridades locais investir na vinda de visitantes e na captação de eventos.

Mas a visão estratégica do jornalista, que insistia em defender que cabia à comunidade empresarial se unir e não ficar esperando a iniciativa do poder público, acabou por prevalecer. A independência financeira e a ausência de qualquer ingerência política são, até hoje, um dos traços mais marcantes dos conventions em todo o mundo.

Como se vê, Carmichael já enfrentava lutas delicadas naquela época, inclusive uma que durou mais de 50 anos, que foi o empenho pela construção de um centro de convenções de grande porte, capaz de abrigar eventos como o Detroit Auto Show, maior orgulho da poderosa indústria automobilística que se formou no município.

Num boletim de 1913, o convention alertava que, devido à falta de espaço adequado, a cidade perdera cerca de 3.500 grandes eventos nos últimos seis anos! Por incrível que pareça, essa é uma situação que ainda aflige alguns conventions mundo afora, principalmente no Brasil, mas, como podemos constatar, é uma reivindicação que, se não tem dado muitos resultados práticos, pelo menos conta com uma considerável herança histórica.

Com todos os problemas, no entanto, os empresários de Detroit, liderados pelo jornalista Carmichael, acabaram por formatar o conceito que viria a dar origem ao primeiro convention do mundo, funcionando nos mesmos moldes dos de hoje — o London Convention & Visitors Bureau, fundado, já com essa denominação e características, em 1905.

Desde então muita coisa mudou, o Turismo cresceu e ganhou importância estratégica para muitos países. Transformou-se em produto de exportação, atividade geradora de emprego e renda, assumiu status de impulsionador do desenvolvimento e ganhou as páginas de economia dos principais meios de comunicação.

Entretanto, a idéia de entidades agindo na captação de eventos e na divulgação dos atrativos turísticos de uma cidade ou região para aumentar o fluxo de visitantes, vem sendo consolidada nos cinco continentes, foi ganhando corpo e, hoje, existem mais de 1000 conventions espalhados pelo mundo.



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